sexta-feira, 2 de junho de 2017

Não é sobre quem eu sou



Não é sobre quem eu sou, mas sobre quem Ele é. Porque só descobri quem eu era quando entendi o que eu sou para Ele. Descobri que valor não é a moeda que se guarda no bolso, mas aquela que compra o pão para alimentar uma multidão. Que amor não se subtrai. Se multiplica. Se divide sem olhar a quem. Aceitei que a perfeição não vem de mim, e que por vezes não farei o bem que eu quero, mas o mal que não quero acabarei por fazer. Miserável homem que sou!

Descobri que por mais que eu caia no chão a sua forte mão, gentilmente, irá me puxar de volta. Que eu sou aquela menininha de vestido alvo a dançar soprando as bolhas de sabão imaginando quantas cores elas podiam mostrar da infinidade de tons da paleta de Deus. Que sonhos precisam voar mais alto que as bolhas e serem mais coloridos que o arco do firmamento. E que eu, com valentia, os conquistaria se eu fosse maior que os medos que um dia alguém me ofereceu.

Descobri que a esperança não poderá me faltar. Que fé é confiar. Mas que o amor - ah! O amor! - Desse eu deverei sempre transbordar.

E mesmo que um dia a memória me falte...

E mesmo que eu me distancie de quem eu sou e esqueça-me da fé, da esperança e do amor, Ele continuará sendo o que sempre foi: O que Ele é. 

Joicy Vakiuti

terça-feira, 23 de maio de 2017

As rodinhas


- Mãe, quero tirar as rodinhas!

    Aqui no interior sempre foi barro mesmo, quando caía era na lama e cascalho, voltava para casa sempre com o joelho ralado. Não precisava ir a venda da esquina para comprar frutinhas, as árvores moravam no nosso quintal. Eu tinha de estimação um pé de algodão (que colhia sempre que precisava plantar meus feijões depois que minha mãe os escolhia).

    Em frente de casa os meninos soltavam pipa e as meninas faziam fila para brincar nas amarelinhas riscadas com um graveto na terra. Eu, sentada no banco de madeira, com várias cores os desenhava sem pressa. Todo mundo buscava o céu.
   
    Os meninos fazem vestibulares, prestam concursos. As meninas também. Todos buscam a terra. Eu continuo desenhando e caindo sem as rodinhas da minha bicicleta. Levo a tranquilidade na garupa e a felicidade na cestinha, olhando o mundo no binóculo e ilustrando descobertas.

Não pense você que tirar as rodinhas é para quem já sabe correr e fazer manobras com aquela bicicleta azul de cestinha. Tirar as rodinhas é para poucos, porque sonhar mesmo é só para quem tem essa tal de coragem.

Joicy Vakiuti

terça-feira, 8 de novembro de 2016

PROCURADO: Luzes que procuro seguir


Vou confessar a ti, essa lista já existe. Por favor, não desista de mim. A segunda coisa que preciso confessar-te é a minha falta de memória associada à capacidade de perca de coisas pertencentes a mim - ou não -. O fato é: perdi a lista. Não encontrei-a na internet e nem em nenhum dos meus blocos de anotação. Sobre ela, das únicas coisas que lembro: 1) Seu nome  "Luzes que procuro seguir"; 2) Era sempre guardada em meus lembretes, num lugar que pudesse ser visualizada todos os dias, talvez tenha falhado um pouco; 3) Fora escrita por um homem, ou não, esta é, absolutamente, apenas uma impressão. 

Espero que não seja fruto dos meus sonhos, no entanto se for, tudo bem. 

Além disso, lembro que essas tais luzes eram em um número X, como não sei que número equivale a X não vou me conter em criá-las ou procurá-las. Então, conforme for-las encontrando compartilho contigo, caso alguém, além de mim, também as procure. E você, se encontrá-las, por favor, compartilhe comigo.
AS PRIMEIRAS TRÊS
1 - Sorria, sempre, ao agradecer.
2 - Aplique seu coração ao seu caminho.
3 - Quem se apressa ao beber um bom chá queima a língua. Não seja esse alguém.

As luzes estão por todo lugar. É verdade, na claridade é mais difícil percebê-las, porém quando encontrá-las guarde-as bem. As vezes Deus manda um grande farol e com ele muda toda a direção da rota, outras vezes manda vaga-lumes, não os menospreze.
Como somos todos caçadores de luzes iniciantes aí vão algumas dicas: Olhe sempre na caixa amarela que recebe as cartas, nas etiquetas das roupas velhas, no troco pão, no tronco da árvore, nas costas da moça que espera pela senha 79 no guichê de sugestões e reclamações sentada na quarta cadeira bordô da terceira fileira do banco, no jornal policial da cidade ou na última folha do seu caderno da sexta série. Pode parecer ridículo, porém não tenha medo de parecer. 

   Joicy Vakiuti 



sábado, 23 de julho de 2016

Ternura


"Quando um pai se senta para brincar com o filho. Quando o Rei se curva para beijar o servo Quando o autor se põe no próprio livro, só pra morrer ali e por alguém mudar o fim. É disso que eu falo quando canto e quando escrevo sobre o amor. É nisso que eu penso quando vejo e quando sinto esse amor." 
(É ISSO / ESTEVÃO QUEIROGA)

A ternura não usa terno, usa vestido florido e chinelo de dedo. Mania boba essa nossa de achar que todo perfume gostoso vem em frasco de cristal. Perfume bom tem cheiro de manteiga no pão quentinho, cheiro de terra molhada depois de dias sem chover, cheiro de abraço de saudade depois de um dia sem se ver.  A Ternura é graciosa, linda da cabeça ao pé, principalmente do lado de dentro onde o coração tem um belo chalé. A Ternura não se rotula como A grande afeição, ela apenas é.

O ser mais terno que eu conheço, tem o universo inteiro na palma da mão, porém sua casa preferida é um perfumado coração. O Terno na verdade não o usa, não precisa de aparência já que é pura essência. Tem por adjetivo mansidão: a suavidade dos fortes. Ah! Como Ele é! A proposito, além de ser, Ele era e ainda há de vir. E como não esperar? O Príncipe da paz fez a mesma em mim habitar enquanto aguardo ansiosa a vinda do Eterno chegar. E até que Ele venha, na minha garupa a tranquilidade vou levar. 

Foi Ele quem ensinou a ternura a amar. Catarina querida, amar sem receber ou trocar, nem por merecer. Apenas amar, porque foi assim que Ele a amou.


Com amor e pelo Amor,
                                                                                         Joicy Vakiuti 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Boneca de lata

...arrancarei de vós o coração de pedra e vos abençoarei com um coração de carne.
Ezequiel 26:36b

Tem dias que você mal sabe por onde começar o dia, desligar o modo soneca do despertador é um bom começo. Tem dias que não sabe se escolhe pão com manteiga e café ou bolo com chá mate. Tem dias que tanto faz se vai usar cabelo em coque ou rabo de cavalo. As vazes a monotonia dos dias te abraça, mas tão apertado que te sufoca.
Com esses dias você constrói, pouco a pouco, a própria armadura de lata, dura e fria. Que na vontade em ser a pessoa perfeita, engole o choro, aguenta calada, que nunca diz não, que deixa as lágrimas escorrerem apenas ao ralo junto a água que cai do chuveiro, a vontade ser a bonita boneca de lata.
Nosso mundo é um tanto imediatista, você também é eu sei. Mas boas mudanças são feitas aos poucos, por dia a dia, vamos assim mudando o mundo devagarinho, vendo a esperança que ainda há, mesmo que escondida lá no fundo do quintal. Esperança que ficaria linda estampada bem na entrada, na fachada, na decoração de dentro da casa. Como a florista que de pétala a pétala foi colorindo o caminho até o ansiado momento enfim chegar.

Pela cultura das perguntas retóricas dos cumprimentos dados a toda a gente, por (como dizem por ai) educação. Que educação mais mal-educada, não? Aguardo o dia em que educação seja o sinônimo de respeito e respeitar seja se importar com o outro ao ponto de ser empático e não apenas simpático por costume.

Brinque com as cores, Catarina, junte uma a outra até formar uma terceira, veja esperança onde não há. Em meio ao caos o Mestre sempre viu, pois confiava em quem era maior que Ele mesmo. O Criador que deu a ti um coração de carne, que sente e que tem o poder de amar. Sei que por debaixo de toda a armadura feita de lata, planejada ou não, possui dentro de si um aquecido coração, que pulsa e que pode ser a mão que levantará a outra armadura que fria e caída se encontra no chão. Que tiremos toda essa lata então, que sejamos todos todo coração.


Com amor e pelo Amor,
                                                                                         Joicy Vakiuti  

sábado, 16 de abril de 2016

Palavras Mágicas


" - Quanto ficou? 
   - Nada não, pode pagar com seu sorriso!"

Elas se esconderam, todas fugiram. Talvez tenham ido pelo correio sem receio rumo a imensidão. Talvez para um paraíso de saches de chá e folhas amareladas em branco, passaram correndo como vulto por aquele que não  as ouviu com atenção. Pela contra mão foram, sabendo ou não da regra estampada na placa. E que importância se dá ao que não se sabe? Como o sábio disse aquela vez "feliz é o ignorante que de nada sabe" e se soubesse do que saberia? Ah! Esse vão que é a vida... O poeta que encontrei embaixo da coberta, por preguiça, as deixou escapar e dentro de si não achava mais lugar para procurar, até que dormiu e sonhou que numa casinha as  palavras ia encontrar.

Há alguns presentes que não se pode segurar e nem chacoalhar pra ver o peso da caixa, presentes que não se rasga o papel para que, como nos ditos da vovó, "ganhar mais nos próximos anos". Presentes que valem mais que a moeda em troca do pão francês em um dia útil qualquer. Presentes que fazem um sorriso ancorar, assim sem nada em troca esperar. Presentes que são ditos, que parecem abraço.

Lembro que logo no primário aprendi as "palavras mágicas", pensava comigo será que palavra tem poder? E se tem, poder de quê? Raio laser ou super força?  Talvez os dois. Palavras que podem trazer a paz aos países há anos em guerra ou enxugar a lágrima que ia escorrendo lá. Será que o mágico tiraria palavra da cartola? Contudo, você as tiraria do coração? Catarina querida, a boca fala do que cheio está o coração. Você têm enchido o seu de quê? Que seja da boa Palavra que o Aba dá; alegria, empatia, flores, poesia, esperança, gentileza, para que dos seus lábios elas saiam e afaguem outro coração. A maior mágica é transformar lágrima em alegria, lágrima em doce canção.


Com amor e pelo Amor,
                                                                                         Joicy Vakiuti  

quarta-feira, 2 de março de 2016

Com viver

(Violões de Madeira)

Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.
Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.
Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, 
porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.
Mateus 6:9-13

O bolo de fubá com café quentinho esta sobre a mesa, sente-se aqui, meu bem, vamos conversar.

Mais um pôr do sol se foi, e cá estamos nós. Trezentos e sessenta e cinco dias em um ano de doze meses, com cerca de trinta dias no mês onde cada dia possui vinte quatro horas, com um minuto atrás do outro até compor sessenta e assim com os segundos. O tempo, indiscutivelmente, não para. E se fossemos mais devagar? Se disséssemos "bom-dia" antes dos nossos pedidos de ordenança?  Se organizássemos nossa agenda por ordem de importância onde o amor fosse sempre prioridade? Se simplesmente conversássemos enquanto a chuva canta a melodia no telhado?

Os homens por economia de espaço, resolveram construir uma casa em cima da outra, lar sobre lar, piso sobre piso, até arranhar o céu, se esticou na ponta dos pés como a criança que almejava pegar uma estrela para guardar no bolso, mesmo com a boa intenção não o apanhou. Talvez aquela pequena casa de pala-fita tenha o alcançado com os joelhos no chão.

Essa cordialidade toda com a vida atrapalha, tire as abotoaduras, fique descalço também. Pode colocar os cotovelos na mesa e apoiar o rosto nas mãos como uma pequena bailarina ao tirar uma foto fazendo abertura no chão. Amor é cotidiano, amor é convivência.Conviver até aprender a viver. É partilhar a canção como quem reparte o pão, porque em par é melhor. Não precisa agendar um horário, Ele tem todo o tempo do mundo para ouvi-la. Você não está sozinha, Catarina, está segura porque o Aba está a segurar a sua mão. Você aprenderá a amar a Deus acima da água, do tecido e do grão quando investir seu relógio em função dEle, e vai perceber a graça que há em partilhar com Ele o choro, o riso, o coração.


Com amor e pelo Amor,
                                                                                         Joicy Vakiuti  
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